Acto Seguro

Segurança sem barreiras, sem filtros e desamarrada de excessos. Fazer naturalmente do trabalho um Acto Seguro.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Cultura de segurança, um custo ou um investimento?

Diariamente as organizações são confrontadas com questões relacionadas com a segurança do trabalho no âmbito do desenvolvimento do seu processo produtivo, invariavelmente às decisões pro-segurança que são adoptadas estão associados custos. Custos esses que poderão ser de aquisição de bens, de implementação de novos procedimentos, de formação dos trabalhadores, da redução da relação proporcional tempo/produção e que poderão, numa análise directa e superficial, ter custos acrescidos significativos para o produto final. São, por isso, considerados custos elevados, logo desencorajadores de uma continuada prática e aposta na segurança do trabalho, ainda para mais nos tempos de crise de hoje e provavelmente de amanhã.
Sabendo que, habitualmente, grandes multinacionais são consideradas portadoras de uma maior cultura de segurança, custa-me a crer que organizações do género mantenham, genericamente, tão grande aposta sem que tenham entendido ou estudado profundamente a mais-valia do seu investimento. Numa breve reflexão chegamos rapidamente à conclusão que países desenvolvidos, empresas de destaque pelos elevados índices produtivos, e de desempenho de segurança, manifestam apostas fortes na prevenção e na sua cultura de segurança que se traduz numa reduzida taxa de sinistralidade e mantém também elevados índices competitivos.
Mas o que será que estas organizações sabem de tão especial cuja actividade não possa ser repetida em organizações de menor dimensão e com menores recursos financeiros?
Menos acidentes, menos dias perdidos por acidente de trabalho ou doença profissional, menos horas extraordinárias, menos matéria-prima desperdiçada, menos equipamento danificado, menos recursos gastos com processos burocráticos, menos coimas, inexistência de degradação comercial da marca…e por aí fora. Mas se, aparentemente é assim tão simples, porque razão é o nosso dia-a-dia confrontado com tão grandes dificuldades na implementação dos sistemas de gestão de segurança do trabalho que invariavelmente chocam com a dimensão financeira de cada medida que se queira tomar?
Uma das coisas que constato com frequência é que as organizações que consideram a segurança um custo já identificaram objectivamente quanto custa a segurança do trabalho, os seus recursos humanos, os equipamentos, as manutenções, certificações, etc, mas quando confrontado com os custos da não segurança fico sempre com a sensação de estar a entrar em zona desconhecida, num vazio de números, mas apenas numa suposição ultrapassada e arcaica mas que está profundamente enraizada em alguns gestores.
É possível ao menos ter todos os dados disponíveis para confirmar, se faz favor, se estamos perante um custo ou benefício?
A questão que levanto é que a medição das mais-valias que a segurança traz em cada organização deverá ser, pelo menos numa primeira fase, inicialmente estudada através da identificação dos custos da não segurança, isto é se, a cada acidente de trabalho corresponde uma investigação relativa às circunstâncias do acidente, as suas causas, porquê não o quantificar financeiramente? Qual a repercussão económica na organização de cada acidente de trabalho?
Ajudem-me, quantas organizações conhecem que, chegando ao fim do ano, para além dos custos da sustentação de um sistema de gestão de segurança do trabalho, opõem o estudo aprofundado dos custos de todos os acidentes de trabalho que tiveram?

PS: Obviamente, e porque isso não se quantifica, neste texto não está efectuada nenhuma referência à maior valia de um sistema de segurança do trabalho que é o da promoção e defesa da integridade física, do respeito pessoal, por cada trabalhador. Parti do principio que isso já toda a gente sabe…

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